ANA
ASTROLOGIA CLÁSSICA
& VIDA MODERNA
Hoje, ao acompanhar as notícias sobre o escândalo do Banco Master, não pude deixar de recorrer aos clássicos. Enquanto o mundo moderno se choca com fraudes bilionárias e “erros” de contabilidade, os mestres da Astrologia Tradicional já haviam mapeado a anatomia da corrupção há mais de mil anos.

Quando mergulhamos em autores como Abu Ma’shar, Guido Bonatti e William Lilly, percebemos que a ganância e o engano seguem assinaturas celestes muito específicas nas cartas de ingresso do Sol em Áries. Encontrei 4 pontos importantes sobre o tema:

 1. A Contabilidade Criativa (Abu Ma’shar):
No século IX, Abu Ma’shar já alertava em Flores Astrologicae, que é uma parte do Kitāb Taḥāwīl Sinī al-ʿĀlam: se Mercúrio (o regente do comércio e dos registros) estiver sob os raios do Sol ou retrógrado no ingresso do ano, os “escribas e mercadores agirão com falsidade”. O resultado? Erros propositais em livros de contas e registros financeiros. É a descrição perfeita da maquiagem de balanço que precede o colapso.

 2. O Dreno do Tesouro (Guido Bonatti):
Bonatti, era implacável. No seu Liber Astronomiae, ele explica que se o regente da Casa 2 (o dinheiro) estiver na Casa 12 (as perdas, o que é oculto), ou se o regente da Casa 8 afligir a 2, o dinheiro do povo será consumido por fraudes e impostos injustos. É o capital que “derrete” nos bastidores por má gestão ou má fé.

 3. A Destruição do Crédito (William Lilly):
No século XVII, Lilly aplicava esses princípios à economia das nações. Ele associava planetas maléficos (Saturno e Marte) na 8ª casa à “destruição do crédito público e à falência de bancos”. Para ele, não é apenas má sorte, mas o resultado de “traição e estratagemas astutos”.

 4. A Corrupção na Origem (Dasturiya):
Uma técnica citada por Abu Ma’shar é a Dasturiya (o planeta que nasce imediatamente antes do Sol). Se esse planeta estiver debilitado ou for um maléfico em péssimo estado, a “centelha” daquela instituição ou governo já nasce corrompida. É um vício de origem que, mais cedo ou mais tarde, vem à tona.

Quando o céu sinaliza o engano, a queda não é uma possibilidade — é uma consequência matemática.
Hoje, ao acompanhar as notícias sobre o escândalo do Banco Master, não pude deixar de recorrer aos clássicos. Enquanto o mundo moderno se choca com fraudes bilionárias e “erros” de contabilidade, os mestres da Astrologia Tradicional já haviam mapeado a anatomia da corrupção há mais de mil anos. Quando mergulhamos em autores como Abu Ma’shar, Guido Bonatti e William Lilly, percebemos que a ganância e o engano seguem assinaturas celestes muito específicas nas cartas de ingresso do Sol em Áries. Encontrei 4 pontos importantes sobre o tema:  1. A Contabilidade Criativa (Abu Ma’shar): No século IX, Abu Ma’shar já alertava em Flores Astrologicae, que é uma parte do Kitāb Taḥāwīl Sinī al-ʿĀlam: se Mercúrio (o regente do comércio e dos registros) estiver sob os raios do Sol ou retrógrado no ingresso do ano, os “escribas e mercadores agirão com falsidade”. O resultado? Erros propositais em livros de contas e registros financeiros. É a descrição perfeita da maquiagem de balanço que precede o colapso.  2. O Dreno do Tesouro (Guido Bonatti): Bonatti, era implacável. No seu Liber Astronomiae, ele explica que se o regente da Casa 2 (o dinheiro) estiver na Casa 12 (as perdas, o que é oculto), ou se o regente da Casa 8 afligir a 2, o dinheiro do povo será consumido por fraudes e impostos injustos. É o capital que “derrete” nos bastidores por má gestão ou má fé.  3. A Destruição do Crédito (William Lilly): No século XVII, Lilly aplicava esses princípios à economia das nações. Ele associava planetas maléficos (Saturno e Marte) na 8ª casa à “destruição do crédito público e à falência de bancos”. Para ele, não é apenas má sorte, mas o resultado de “traição e estratagemas astutos”.  4. A Corrupção na Origem (Dasturiya): Uma técnica citada por Abu Ma’shar é a Dasturiya (o planeta que nasce imediatamente antes do Sol). Se esse planeta estiver debilitado ou for um maléfico em péssimo estado, a “centelha” daquela instituição ou governo já nasce corrompida. É um vício de origem que, mais cedo ou mais tarde, vem à tona. Quando o céu sinaliza o engano, a queda não é uma possibilidade — é uma consequência matemática.
12 horas ago
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Na Astrologia Tradicional, existe uma doutrina que associa as grandes religiões e sistemas de crença aos movimentos do céu. Esta é uma das contribuições mais intrigantes de Abu Ma’shar (787-886 d.C.) Segundo a visão dele:

Saturno (Tradição e Lei Antiga): Associado ao Judaísmo. Como planeta da estrutura, do tempo e da persistência, Saturno reflete a ênfase na Torá, nos mandamentos rigorosos e na preservação de uma herança ancestral imutável.

Júpiter (Expansão e Fé): Ligado ao Islã. Sendo o “Grande Benéfico” e o planeta da lei divina e da justiça, Júpiter representa o crescimento vibrante, a expansão espiritual e a ênfase na submissão a Deus e na comunidade (Ummah).

Marte (Força e Conquista): Associado a sistemas de crença caldeus mais antigos ou religiões que se estabeleceram pela força e pelo espírito guerreiro. É o planeta da ação decisiva e do fervor combativo.

Sol (Autoridade e Império): Representa o culto à soberania e aos governantes. Reflete as religiões estatais onde o poder espiritual e o temporal se fundem na figura do monarca.

Vênus (Beleza e Devoção): Ligada a cultos que enfatizam a estética, as artes e os prazeres sensoriais. É a fé que encontra o divino através da harmonia, do amor e da celebração da vida.

Mercúrio (O Logos e a Palavra): Associado ao Cristianismo. Esta ligação deve-se à centralidade do “Verbo” (Logos), à disseminação da fé através da pregação (comunicação) e à complexidade das disputas teológicas e doutrinárias.

Lua (Mutabilidade e o Povo): Representa as religiões de caráter popular, folclórico e adaptável. Como a Lua muda de fase, esses cultos costumam ser fluídos e profundamente ligados às massas e aos ritmos da natureza.

A visão de Abu Ma’shar não é apenas uma curiosidade histórica. Ela nos lembra que, para os antigos, a Astrologia era a ferramenta máxima para compreender não apenas o indivíduo, mas o destino das civilizações. Ao observar os céus, eles buscavam a ordem por trás dos grandes movimentos da humanidade.

Como você encaixaria as religiões atuais nesta visão? 

#astrologia #astrologiaclassica #anarodrigues_astrologa
Na Astrologia Tradicional, existe uma doutrina que associa as grandes religiões e sistemas de crença aos movimentos do céu. Esta é uma das contribuições mais intrigantes de Abu Ma’shar (787-886 d.C.) Segundo a visão dele: Saturno (Tradição e Lei Antiga): Associado ao Judaísmo. Como planeta da estrutura, do tempo e da persistência, Saturno reflete a ênfase na Torá, nos mandamentos rigorosos e na preservação de uma herança ancestral imutável. Júpiter (Expansão e Fé): Ligado ao Islã. Sendo o “Grande Benéfico” e o planeta da lei divina e da justiça, Júpiter representa o crescimento vibrante, a expansão espiritual e a ênfase na submissão a Deus e na comunidade (Ummah). Marte (Força e Conquista): Associado a sistemas de crença caldeus mais antigos ou religiões que se estabeleceram pela força e pelo espírito guerreiro. É o planeta da ação decisiva e do fervor combativo. Sol (Autoridade e Império): Representa o culto à soberania e aos governantes. Reflete as religiões estatais onde o poder espiritual e o temporal se fundem na figura do monarca. Vênus (Beleza e Devoção): Ligada a cultos que enfatizam a estética, as artes e os prazeres sensoriais. É a fé que encontra o divino através da harmonia, do amor e da celebração da vida. Mercúrio (O Logos e a Palavra): Associado ao Cristianismo. Esta ligação deve-se à centralidade do “Verbo” (Logos), à disseminação da fé através da pregação (comunicação) e à complexidade das disputas teológicas e doutrinárias. Lua (Mutabilidade e o Povo): Representa as religiões de caráter popular, folclórico e adaptável. Como a Lua muda de fase, esses cultos costumam ser fluídos e profundamente ligados às massas e aos ritmos da natureza. A visão de Abu Ma’shar não é apenas uma curiosidade histórica. Ela nos lembra que, para os antigos, a Astrologia era a ferramenta máxima para compreender não apenas o indivíduo, mas o destino das civilizações. Ao observar os céus, eles buscavam a ordem por trás dos grandes movimentos da humanidade. Como você encaixaria as religiões atuais nesta visão?  #astrologia #astrologiaclassica #anarodrigues_astrologa
2 dias ago
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A história da astrologia, em sua maioria contada por vozes masculinas, escondeu por séculos o papel fundamental de mulheres que não apenas praticaram, mas também inovaram e influenciaram profundamente essa arte milenar. 

Do período helenístico ao Renascimento, elas foram mestras, conselheiras e visionárias, desafiando as normas de suas épocas.

Este não é um relato de “curiosidades”, mas um reconhecimento de linhagem:

Heliodora (Séc. II-III, Egito): 
Descoberta recentemente em uma lápide no Egito como matematike. Isto no século II significa que ela dominava o uso de efemérides e tábuas de ascensão, algo que exigia anos de estudo formal, desmistificando a ideia de que a mulher na antiguidade só praticava uma “astrologia intuitiva”.


Princesa Buran (Séc. IX, Bagdá): 
No auge da era de ouro da astrologia árabe, Buran era uma autoridade na corte abássida. O episódio mais conhecido de Buran é um exemplo clássico de astrologia horária. Ela usou o céu do momento para identificar um perigo oculto ao califa. Isso mostra que, no Califado Abássida, o conhecimento astrológico era uma ferramenta de inteligência de Estado, e Buran estava no centro dessa engrenagem.


Mariam al-Astrulabi (Séc. X, Síria): 
A prática da astrologia exige precisão instrumental. Mariam foi a arquiteta dessa precisão, desenvolvendo astrolábios complexos que permitiam aos astrólogos de sua época determinar o Ascendente e as cúspides das casas com rigor matemático.


Maria Cunitz (Séc. XVII, Silésia): 
Ela não apenas “simplificou” Kepler; ela corrigiu erros de cálculo nas tábuas originais. Seu livro Urania Propitia foi escrito em latim e alemão para que o conhecimento não ficasse restrito à elite acadêmica masculina. Ela era uma ponte entre a astronomia de observação e a prática astrológica de gabinete.


Revisitar esses nomes é compreender que a tradição astrológica é uma tapeçaria tecida por muitas mãos. O rigor técnico e a perspicácia interpretativa nunca foram restritos por gênero, mas pela dedicação ao estudo dos astros.

Qual dessas figuras ressoa mais com a sua forma de estudar a tradição? Eu adoro Buran!

#astrologia #astrologiaclassica #anarodrigues_astrologa #mulheresnaastrologia
A história da astrologia, em sua maioria contada por vozes masculinas, escondeu por séculos o papel fundamental de mulheres que não apenas praticaram, mas também inovaram e influenciaram profundamente essa arte milenar. Do período helenístico ao Renascimento, elas foram mestras, conselheiras e visionárias, desafiando as normas de suas épocas. Este não é um relato de “curiosidades”, mas um reconhecimento de linhagem: Heliodora (Séc. II-III, Egito):  Descoberta recentemente em uma lápide no Egito como matematike. Isto no século II significa que ela dominava o uso de efemérides e tábuas de ascensão, algo que exigia anos de estudo formal, desmistificando a ideia de que a mulher na antiguidade só praticava uma “astrologia intuitiva”. Princesa Buran (Séc. IX, Bagdá):  No auge da era de ouro da astrologia árabe, Buran era uma autoridade na corte abássida. O episódio mais conhecido de Buran é um exemplo clássico de astrologia horária. Ela usou o céu do momento para identificar um perigo oculto ao califa. Isso mostra que, no Califado Abássida, o conhecimento astrológico era uma ferramenta de inteligência de Estado, e Buran estava no centro dessa engrenagem. Mariam al-Astrulabi (Séc. X, Síria):  A prática da astrologia exige precisão instrumental. Mariam foi a arquiteta dessa precisão, desenvolvendo astrolábios complexos que permitiam aos astrólogos de sua época determinar o Ascendente e as cúspides das casas com rigor matemático. Maria Cunitz (Séc. XVII, Silésia):  Ela não apenas “simplificou” Kepler; ela corrigiu erros de cálculo nas tábuas originais. Seu livro Urania Propitia foi escrito em latim e alemão para que o conhecimento não ficasse restrito à elite acadêmica masculina. Ela era uma ponte entre a astronomia de observação e a prática astrológica de gabinete. Revisitar esses nomes é compreender que a tradição astrológica é uma tapeçaria tecida por muitas mãos. O rigor técnico e a perspicácia interpretativa nunca foram restritos por gênero, mas pela dedicação ao estudo dos astros. Qual dessas figuras ressoa mais com a sua forma de estudar a tradição? Eu adoro Buran! #astrologia #astrologiaclassica #anarodrigues_astrologa #mulheresnaastrologia
3 dias ago
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O Poder das Conjunções Médias: Saturno e Marte

Para quem estuda a tradição, as conjunções médias entre Saturno e Marte são termômetros críticos da história mundana. Se Abu Ma’shar dava ênfase especial aos encontros em Câncer — onde a debilidade mútua (Marte em queda e Saturno em detrimento) exacerba a malignidade — o cenário de 19 de abril de 2026 nos apresenta uma dinâmica distinta, mas igualmente tensa.

Desta vez, os dois maléficos se encontram no grau 7 de Áries. Diferente da passividade corrosiva de Câncer, Áries é o domicílio de Marte e a exaltação do Sol: um signo de fogo, cardinal e explosivo, e também a queda de Saturno.

O ponto crucial desta análise surge quando projetamos esta conjunção sobre o mapa do Ingresso do Sol em Áries para o mundo (Greenwich, Longitude 0°). Nesse mapa, o grau 7 de Áries cai precisamente na Casa 8.
Abu Ma’shar refere-se ao eixo das Casas 2 e 8 como o eixo financeiro, mas naturalmente, esta é uma casa de dificuldades. A presença dessa conjunção em uma casa de crise sugere:

1. Instabilidade Financeira: A secura de Marte e Saturno em um signo ígneo podem atuar como um estopim para o rompimento de bolhas econômicas ou crises de liquidez globais.

3.Eventos Geofísicos: A leitura técnica para um signo de fogo também aponta para liberações súbitas de pressão, como erupções vulcânicas violentas e eventos explosivos de grande impacto.

Muitos se perguntam sobre a duração desses efeitos. Na doutrina de Abu Ma’shar, uma conjunção em um signo cardinal como Áries indica eventos que se manifestam de forma súbita e intensa, mas que tendem a ter uma resolução mais rápida do que em signos fixos.

O “prazo de validade” mais crítico desta configuração permeia o ano solar (do ingresso de 2026 ao de 2027), mas Marte e Saturno se encontram a cada 2 anos aproximadamente.

O “fogo” de Áries, embora destrutivo, é também purificador. Para o sábio, o céu não é um carrasco, mas uma bússola.

Como ensinava a tradição persa, quem reconhece os ritmos do tempo não é escravo do fado, mas um observador consciente da ordem universal.  Não seja temeroso, porque cada ser habitante deste mundo tem seu próprio ritmo pessoal.
O Poder das Conjunções Médias: Saturno e Marte Para quem estuda a tradição, as conjunções médias entre Saturno e Marte são termômetros críticos da história mundana. Se Abu Ma’shar dava ênfase especial aos encontros em Câncer — onde a debilidade mútua (Marte em queda e Saturno em detrimento) exacerba a malignidade — o cenário de 19 de abril de 2026 nos apresenta uma dinâmica distinta, mas igualmente tensa. Desta vez, os dois maléficos se encontram no grau 7 de Áries. Diferente da passividade corrosiva de Câncer, Áries é o domicílio de Marte e a exaltação do Sol: um signo de fogo, cardinal e explosivo, e também a queda de Saturno. O ponto crucial desta análise surge quando projetamos esta conjunção sobre o mapa do Ingresso do Sol em Áries para o mundo (Greenwich, Longitude 0°). Nesse mapa, o grau 7 de Áries cai precisamente na Casa 8. Abu Ma’shar refere-se ao eixo das Casas 2 e 8 como o eixo financeiro, mas naturalmente, esta é uma casa de dificuldades. A presença dessa conjunção em uma casa de crise sugere: 1. Instabilidade Financeira: A secura de Marte e Saturno em um signo ígneo podem atuar como um estopim para o rompimento de bolhas econômicas ou crises de liquidez globais. 3.Eventos Geofísicos: A leitura técnica para um signo de fogo também aponta para liberações súbitas de pressão, como erupções vulcânicas violentas e eventos explosivos de grande impacto. Muitos se perguntam sobre a duração desses efeitos. Na doutrina de Abu Ma’shar, uma conjunção em um signo cardinal como Áries indica eventos que se manifestam de forma súbita e intensa, mas que tendem a ter uma resolução mais rápida do que em signos fixos. O “prazo de validade” mais crítico desta configuração permeia o ano solar (do ingresso de 2026 ao de 2027), mas Marte e Saturno se encontram a cada 2 anos aproximadamente. O “fogo” de Áries, embora destrutivo, é também purificador. Para o sábio, o céu não é um carrasco, mas uma bússola. Como ensinava a tradição persa, quem reconhece os ritmos do tempo não é escravo do fado, mas um observador consciente da ordem universal. Não seja temeroso, porque cada ser habitante deste mundo tem seu próprio ritmo pessoal.
5 dias ago
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Johannes Kepler nasceu em 6 de janeiro de 1572 (NS) em Weil-der-Stadt, na província alemã da Suábia. Seu avô havia sido prefeito da cidade, mas a fortuna da família Kepler estava em declínio. Seu pai era um aventureiro que ganhou uma vida precária como soldado mercenário, e abandonou a família quando Johannes tinha 17 anos. Sua mãe, tinha uma reputação de feiticeira.

Em 1587, Kepler foi para a Universidade de Tübingen, onde provou ser um excelente matemático. Ele também se tornou um defensor da polêmica teoria copernicana do sistema solar, que ele defendeu com frequência em debates públicos. Naquela época, Kepler não estava particularmente interessado em astronomia. A ideia de um universo centrado no Sol tinha um apelo místico. Ele pretendia se tornar um clérigo e quando se formou em 1591, entrou para a faculdade de teologia de Tübingen. Antes de fazer seus exames finais, porém, ele foi recomendado para o posto vago de professor de matemática e astronomia na escola protestante de Graz, na Áustria, que ele assumiu em abril de 1594, aos 23 anos. Não havia distinções claras entre astronomia e astrologia. ; Entre seus deveres como ‘matemático’, esperava-se que Kepler emitisse um almanaque anual de previsões astrológicas. Em seu primeiro almanaque, ele previu um inverno excepcionalmente frio e uma incursão turca na Áustria. Quando ambas as previsões se mostraram corretas, ele ganhou inesperadamente a reputação de profeta.

Em 19 de julho de 1595, uma repentina revelação mudou o curso da vida de Kepler. Em preparação para uma aula de geometria, ele havia desenhado uma figura no quadro-negro de um triângulo equilátero dentro de um círculo com um segundo círculo inscrito dentro dele. Ele percebeu que a razão entre os dois círculos reproduzia a razão entre as órbitas de Júpiter e Saturno. Em um lampejo de inspiração, ele viu as órbitas de todos os planetas ao redor do Sol dispostas de modo que figuras geométricas regulares se encaixassem perfeitamente entre elas. Ele testou essa intuição usando figuras planas bidimensionais – o triângulo, o quadrado, o pentágono etc. – mas isso não funcionou. Como o espaço é tridimensional, ele passou a experimentar sólidos geométricos tridimensionais.

Os gregos antigos sabiam que o número de sólidos que podem ser construídos a partir de figuras geométricas regulares é limitado a cinco. Eles são conhecidos como os sólidos ‘perfeitos’, ‘pitagóricos’ ou ‘platônicos’. Kepler especulou que um dos cinco sólidos poderia ser inserido entre cada esfera planetária concêntrica. Isso parecia explicar por que havia apenas seis planetas (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno) com cinco intervalos separando-os e porque os intervalos eram tão irregulares. Convencido de que havia descoberto uma sutil relação geométrica entre os diâmetros das órbitas planetárias e suas distâncias do Sol, Kepler escreveu Mysterium Cosmographicum (“o mistério cósmico”), publicado em 1596.

Embora tenha se tornado famoso pela precisão de suas previsões e tenha obtido um número impressionante de “sucessos” durante sua carreira, a atitude de Kepler em relação à astrologia convencional era ambivalente e complexa. Na tentativa de desenredá-lo, podemos pelo menos começar por descartar a noção de que ele rejeitou a astrologia fora de mão. Na história oficial do progresso científico, os valores da Era da Razão e da Revolução Industrial foram projetados para o genial matemático que desvendou as leis do movimento planetário. Parecia inconcebível que ele pudesse estar contaminado com a superstição medieval da astrologia. Como a paixão de Isaac Newton por alquimia e teologia, essa aberração foi mais bem encoberta ou, como aconteceu no caso de Kepler, distorcida da verdade. A famosa metáfora de Kepler, que compara a astrologia à “filha tola” da “mãe sábia” (astronomia), tem sido frequentemente citada como evidência de sua descrença. Visto no contexto, no entanto, a filha tola representa um estilo particular de astrologia – astrologia popular – que não era do gosto de Kepler. Ele sempre teve o cuidado de distinguir sua visão reverencial das harmonias celestes das práticas dos astrólogos de bastidores e dos criadores de almanaques “que preferem se envolver em delírios loucos com as massas sem instrução”.

Então, Kepler era, sem dúvida, um astrólogo – mas ele não fazia acepção de tradição astrológica. Suas ideias parecem radicais até mesmo pelos padrões da astrologia tradicional hoje em dia. Para começar, ele descartava o uso das 12 casas. Embora aceitasse que os ângulos eram importantes, ele não via justificativa para a divisão convencional de casas. “Demonstre as casas antigas para mim”, escreveu ele a um de seus correspondentes, “Explique seu número; prove que não pode haver nem menos nem mais … mostre-me exemplos indubitáveis ​​e notáveis ​​de sua influência”.

Ele chegou a ponto de questionar a validade dos signos do zodíaco, argumentando que eles eram derivados do raciocínio humano e da conveniência aritmética, em vez de qualquer divisão natural dos céus.  Ele não tinha tempo para esquemas elaborados de governo de signos planetários e não via razão para que alguns planetas fossem classificados como benéficos e outros como maléficos.

Kepler não deixou nenhuma convenção astrológica incontestada. Seu rigoroso questionamento sugere uma reforma massiva da astrologia, numa escala que Ken Negus comparou à reforma que Martinho Lutero provocou na Igreja. A grande tentativa de Kepler de limpar a astrologia parece ecoar a katharsis pitagórica – uma purificação frenética da alma empreendida para restaurar a harmonia divina. Mais prosaicamente, deve ser visto no contexto das mudanças monumentais que ocorrem na astronomia teórica durante os séculos XVI e XVII. As antigas doutrinas aristotélicas que deram à astrologia alguma medida de credibilidade científica estavam desmoronando rapidamente. Copérnico havia deslocado a Terra do centro do universo; Tycho provara que os céus “imutáveis” estavam sujeitos a mudanças quando novas estrelas incendiavam o céu; O telescópio de Galileu havia aberto dimensões não sonhadas por Ptolomeu; O próprio Kepler havia quebrado os movimentos serenos e circulares das órbitas planetárias para sempre. Ele sentiu que a astrologia teria que se ajustar à nova astronomia se quisesse acompanhar a marcha da ciência.

A chave para a reforma proposta por Kepler é sua abordagem aos aspectos. A astrologia tradicional reconhece cinco relacionamentos significativos, baseados na divisão de doze dos signos do zodíaco.

Ptolomeu ensinou que seu significado foi derivado por analogia com as proporções da escala musical. [10] A conjunção é equivalente às mesmas duas notas tocadas em uníssono. A oposição divide o círculo na proporção 1: 2, que corresponde à oitava. O sêxtil (5: 6) corresponde a um terço menor, o quadrado (3: 4) a um quarto perfeito e o trígono (2: 3) a um quinto perfeito.

Ao colocar menos ênfase nos signos do zodíaco, no entanto, Kepler estava livre para explorar relações de aspecto adicionais em sua busca da síntese pitagórica da música, geometria e astronomia.

Os novos aspectos de Kepler foram baseados na teoria harmônica e fundamentados na observação empírica dos efeitos astrológicos. A partir de seu estudo de longo prazo das condições meteorológicas correlacionadas com os ângulos planetários e da análise detalhada de sua coleção de 800 mapas de nascimento, Kepler concluiu que quando os planetas formaram ângulos equivalentes a relações harmônicas particulares, foi criada uma ressonância, tanto na alma arquetípica da Terra “e nas almas dos indivíduos nascidos sob essas configurações. Ele considerou essa “marca celestel” mais importante que a ênfase tradicional em signos e casas: “no poder vital do ser humano que é inflamado no nascimento brilha aquela imagem lembrada …”

A impressão geométrica harmônica constitui “a música que impele o ouvinte a dançar”, à medida que os movimentos dos planetas, por trânsito e direção, ecoam e repercutem o tema natal.

Além dos aspectos ptolomaicos, Kepler propôs o quintil (72 °), o quintil binário (144 °) e o sesqui-quadratura (135 °). Estendendo a analogia da escala musical, o quintil é equivalente a um intervalo de um terço maior (4: 5), o sesqui-quadrado a um sexto menor (5: 8) e o quintil a um sexto maior (3: 5).

Kepler by Max Caspar, translated by C. Doris Hellman (Collier-Mac, 1962)

Joscelyn Godwin: Harmonies of Heaven and Earth (Thames and Hudson 1987), p.130

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