ANA
ASTROLOGIA CLÁSSICA
& VIDA MODERNA
É legítimo perguntar se uma conjunção como Saturno–Netuno pode ser analisada sob a ótica da astrologia tradicional. E a resposta honesta é: com dificuldade, mas não sem método. O problema não é Saturno — o problema é Netuno.

A astrologia tradicional trabalha com naturezas definidas e participação clara na ordem celeste. Netuno não possui estes critérios. Mesmo sua associação moderna ao signo de Peixes é simbólica, não técnica. Por isso, qualquer tentativa de leitura tradicional precisa começar reconhecendo esse limite.

Ainda assim, é possível fazer um exercício coerente. Na astrologia tradicional, quando dois planetas estão em conjunção, o mais pesado e mais lento molda a natureza do encontro. Ele impõe sua qualidade ao outro. Netuno é mais lento, mais distante e mais pesado que Saturno. Logo, Netuno domina a conjunção.

A conjunção ocorre em Áries, signo de fogo, cardinal. Para Saturno, é um signo de queda, um lugar de fraqueza e perda de autoridade.

Temos então uma combinação delicada: um planeta de dissolução (Netuno) dominando um planeta de rigidez e tempo (Saturno) em um signo que rejeita contenção.

Na tradição, a força de um planeta é avaliada por dignidades, seita, gênero, entre outros pontos. Netuno não participa desse sistema. Ele domina pelo peso, mas não possui estrutura para sustentar aquilo que domina.
O resultado é paradoxal: o planeta que governa a conjunção não tem forma, enquanto o planeta da forma (Saturno) está debilitado.

Essa conjunção indicaria uma fase em que as estruturas da realidade ficariam porosas.

Isso poderia se manifestar como: novas espiritualidades, novas formas de trabalho, menos vínculo, tecnologias que criam realidades paralelas (como IA e mundos virtuais). 

Mas também: confusão entre o real e o ilusório, perda de critérios, espiritualidade difusa, instituições que existem mais como narrativa do que como estrutura real. Os grande blocos do mundo [econômicos, políticos, etc] perdendo suas importâncias e funções.

A conjunção Saturno–Netuno pode ser observada pela ótica tradicional, mas ela revela justamente os limites do pensamento moderno: um planeta que governa sem forma, e um planeta da forma enfraquecido.
É legítimo perguntar se uma conjunção como Saturno–Netuno pode ser analisada sob a ótica da astrologia tradicional. E a resposta honesta é: com dificuldade, mas não sem método. O problema não é Saturno — o problema é Netuno. A astrologia tradicional trabalha com naturezas definidas e participação clara na ordem celeste. Netuno não possui estes critérios. Mesmo sua associação moderna ao signo de Peixes é simbólica, não técnica. Por isso, qualquer tentativa de leitura tradicional precisa começar reconhecendo esse limite. Ainda assim, é possível fazer um exercício coerente. Na astrologia tradicional, quando dois planetas estão em conjunção, o mais pesado e mais lento molda a natureza do encontro. Ele impõe sua qualidade ao outro. Netuno é mais lento, mais distante e mais pesado que Saturno. Logo, Netuno domina a conjunção. A conjunção ocorre em Áries, signo de fogo, cardinal. Para Saturno, é um signo de queda, um lugar de fraqueza e perda de autoridade. Temos então uma combinação delicada: um planeta de dissolução (Netuno) dominando um planeta de rigidez e tempo (Saturno) em um signo que rejeita contenção. Na tradição, a força de um planeta é avaliada por dignidades, seita, gênero, entre outros pontos. Netuno não participa desse sistema. Ele domina pelo peso, mas não possui estrutura para sustentar aquilo que domina. O resultado é paradoxal: o planeta que governa a conjunção não tem forma, enquanto o planeta da forma (Saturno) está debilitado. Essa conjunção indicaria uma fase em que as estruturas da realidade ficariam porosas. Isso poderia se manifestar como: novas espiritualidades, novas formas de trabalho, menos vínculo, tecnologias que criam realidades paralelas (como IA e mundos virtuais). Mas também: confusão entre o real e o ilusório, perda de critérios, espiritualidade difusa, instituições que existem mais como narrativa do que como estrutura real. Os grande blocos do mundo [econômicos, políticos, etc] perdendo suas importâncias e funções. A conjunção Saturno–Netuno pode ser observada pela ótica tradicional, mas ela revela justamente os limites do pensamento moderno: um planeta que governa sem forma, e um planeta da forma enfraquecido.
3 dias ago
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Chegaram as reposições dos livros A Antologia de Vettius Valens e A Grande Introdução de Abu Ma’Shar.
Para adquirir seu livro acesse www.astrologiaclassica.com.br

Duas obras em português, indispensáveis para estudantes de astrologia tradicional.
#astrologia #astrologiaclassica #anarodrigues_astrologa #astrologiatradicional
Chegaram as reposições dos livros A Antologia de Vettius Valens e A Grande Introdução de Abu Ma’Shar. Para adquirir seu livro acesse www.astrologiaclassica.com.br Duas obras em português, indispensáveis para estudantes de astrologia tradicional. #astrologia #astrologiaclassica #anarodrigues_astrologa #astrologiatradicional
7 dias ago
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O bom mesmo é um planeta forte por signo, casa, fase, velocidade, direção e aspectos .
#astrologiaclassica #astrologia #anarodrigues_astrologa #astrologiatradicional
O bom mesmo é um planeta forte por signo, casa, fase, velocidade, direção e aspectos . #astrologiaclassica #astrologia #anarodrigues_astrologa #astrologiatradicional
1 semana ago
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A ideia moderna, mais esotérica, de que os planetas superiores seriam como “oitavas acima” dos planetas inferiores não surgiu do nada. Ela deriva, ainda que de forma indireta, de um pensamento muito mais antigo, apresentado por Abu Maʿšar, e que deriva dos persas e indianos. O que mudou foi a forma de entender essa hierarquia.

Os antigos já falavam de níveis diferentes de atuação dos planetas, mas não em termos simbólicos ou vibracionais. Para eles, os planetas superiores lidam com o que é lento e duradouro — religiões, dinastias, grandes ciclos históricos — porque se movem devagar e seguem o movimento mais amplo do cosmos. Os planetas inferiores, por serem rápidos e próximos da Terra, tratam das coisas curtas, imediatas e mutáveis do dia a dia.

Com o tempo, essa diferença real acabou sendo reinterpretada. Em vez de pensar em camadas de tempo e de movimento, o pensamento esotérico moderno transformou isso numa ideia de repetição: como se os planetas superiores fossem versões “mais altas” dos inferiores, funcionando na mesma lógica, só em outra frequência. A noção de “oitava” nasce justamente dessa tentativa de traduzir uma hierarquia natural em linguagem simbólica.

O Sol, que para os antigos ocupa uma posição intermediária e mediadora, também perdeu esse papel claro nessa releitura. No modelo original, ele conecta o estrutural ao cotidiano, indicando reis, líderes e centros de poder. Na leitura esotérica, essa função de mediação acaba diluída.

Assim, o pensamento esotérico moderno pode ser visto como um desdobramento tardio mas simplificado de uma ideia mais sólida, mas traduz isso de forma equivocada, trocando:

movimento natural → vibração
duração do tempo → frequência
causalidade cósmica → analogia simbólica

Ele percebe que há níveis diferentes de atuação planetária, mas troca a explicação baseada no movimento, no tempo e na causalidade por uma analogia simbólica que, embora intuitiva, não corresponde ao modelo astrológico.

Muito provavelmente isto ocorreu pela fragmentação do conteúdo original. 

#astrologia #astrologiaclassica #anarodrigues_astrologa
A ideia moderna, mais esotérica, de que os planetas superiores seriam como “oitavas acima” dos planetas inferiores não surgiu do nada. Ela deriva, ainda que de forma indireta, de um pensamento muito mais antigo, apresentado por Abu Maʿšar, e que deriva dos persas e indianos. O que mudou foi a forma de entender essa hierarquia. Os antigos já falavam de níveis diferentes de atuação dos planetas, mas não em termos simbólicos ou vibracionais. Para eles, os planetas superiores lidam com o que é lento e duradouro — religiões, dinastias, grandes ciclos históricos — porque se movem devagar e seguem o movimento mais amplo do cosmos. Os planetas inferiores, por serem rápidos e próximos da Terra, tratam das coisas curtas, imediatas e mutáveis do dia a dia. Com o tempo, essa diferença real acabou sendo reinterpretada. Em vez de pensar em camadas de tempo e de movimento, o pensamento esotérico moderno transformou isso numa ideia de repetição: como se os planetas superiores fossem versões “mais altas” dos inferiores, funcionando na mesma lógica, só em outra frequência. A noção de “oitava” nasce justamente dessa tentativa de traduzir uma hierarquia natural em linguagem simbólica. O Sol, que para os antigos ocupa uma posição intermediária e mediadora, também perdeu esse papel claro nessa releitura. No modelo original, ele conecta o estrutural ao cotidiano, indicando reis, líderes e centros de poder. Na leitura esotérica, essa função de mediação acaba diluída. Assim, o pensamento esotérico moderno pode ser visto como um desdobramento tardio mas simplificado de uma ideia mais sólida, mas traduz isso de forma equivocada, trocando: movimento natural → vibração duração do tempo → frequência causalidade cósmica → analogia simbólica Ele percebe que há níveis diferentes de atuação planetária, mas troca a explicação baseada no movimento, no tempo e na causalidade por uma analogia simbólica que, embora intuitiva, não corresponde ao modelo astrológico. Muito provavelmente isto ocorreu pela fragmentação do conteúdo original. #astrologia #astrologiaclassica #anarodrigues_astrologa
2 semanas ago
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O tema relacionamento e casamento é um dos mais buscados pelos que procuram a Astrologia como orientação de vida, e quando pensamos em relacionamentos diretamente nosso olhar se direciona para a casa 7, que tem este como tema. No entanto na tradição helenista haviam outras maneiras de abordar este tema. Uma delas ela observar as condições de Vênus, que é completamente relacionada ao tema amor, casamento e fertilidade. Mas uma segunda, pouco utilizada pela modernidade era observar as condições do Lot do Casamento. Segundo Dorotheus de Sidon, no Livro II, o Lot do Casamento é encontrado da seguinte maneira:

Cartas Masculinas = Asc + Saturno – Vênus (mapa diurno)

Cartas Femininas = Asc+ Vênus – Saturno (mapa diurno)

Para esta compreensão é importante ressaltar que o sistema de casas utilizado pelos helenistas é do de Signo/Casa, sem cúspide nas casas. A ideia de cúspide vem futuramente na História.

Sobre este Lot Dorotheus de Sidon diz no Livro II Cap. 2 de Carmen Astrologicum:

“Se você encontrar algum desses planetas neste local ou em quartil, este é o indicador do casamento”

Dorotheus de Sidon, séc. I e.c

Dorotheus quis dizer que, se você observar a Vênus ou Saturno à distância de 90 graus deste Lot, é um indício de casamento.

Outro ponto importante a observar em relação ao Lot do Casamento é sua posição por casa. Dorotheus nos diz que se o Lot estiver em oposição ao Ascendente, ou em um lugar ruim, não é um bom indício para o casamento quanto para filhos.

Ainda mais uma maneira de observar condições favoráveis ao casamento, além do Lot do Casamento é pela pura condição de Vênus. Vênus Posicionado em uma casa de teor maléfico (casas VI, VIII ou XII) é indício de dificuldades ao longo do casamento. Ao contrário, Dorotheus diz que se Júpiter olha (aspecta) para Vênus de onde quer que esteja, indica benefício por causa das mulheres, mas se um maléfico vê Vênus enquanto Júpiter está o aspectando, isso diminui o mal do maléfico. Na natividade de uma mulher, prevê de maneira semelhante seus benefícios com os homens. Se você encontrar Vênus em um signo que possui dois corpos ou duas figuras (signos comuns, bicorpóreos, ou mutáveis), então o casamento do nativo não será com apenas uma esposa.

Vejamos um exemplo. Esta carta é de uma moça, que casou, ficou aproximadamente dois anos casada e se separou, em condições bastante adversas.

O Lot do Casamento está em 15°Touro45′. Vênus tem domicílio em Touro e está na casa 8, uma casa maléfica, um lugar ruim, segundo Dorotheus. Veja que Vênus se opõe a Júpiter, e por signo inteiro recebe quadratura da Lua. As fortes promessas de adversidades no casamento já aparecem na carta natal. A casa 7 está em um signo comum, Virgem, indicando a possibilidade de mais de um casamento, assim como a presença de Marte nesta mesma casa aponta par a separação.

O casamento, ou os relacionamentos, de maneira geral, são temas bastante complexos, onde a observação de um único ponto não e suficiente para traçarmos um quadro do tema ao longo da vida como um todo.

Fontes:

Carmen Astrologicum, Livro II, tradução de David Pingree.

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